COP

Lições da COP30 sobre a força e a importância da atuação em redes

28 de novembro de 2025

A participação da Sociedade Brasileira de Restauração Ecológica (SOBRE) na COP30, a conferência da ONU sobre mudanças climáticas, reforçou a percepção de que a restauração ecológica avança com mais escala e eficiência quando é impulsionada por redes fortes, representativas e articuladas.

Essa conclusão ficou especialmente evidente no evento promovido pela entidade em parceria com a Embrapa e com os movimentos biomáticos que compõem os capítulos da SOBRE. No bate-papo “Restauração ecológica: ação coletiva. A força das redes para regenerar os biomas brasileiros”, a Aliança pela Restauração na Amazônia, o Pacto pela Restauração da Mata Atlântica, a Araticum – Articulação pela Restauração do Cerrado, a ReCaa – Rede para a Restauração da Caatinga, a Rede Sul de Restauração Ecológica e a rede da Embrapa com o RestauraBio, apresentaram como os coletivos têm impulsionado resultados concretos em campo.

A primeira tesoureira da SOBRE, Raphaela Aguiar, representou a entidade na COP ao lado da secretária executiva Mariana Pardi. Ao compartilhar o conceito de rede, Raphaela sintetizou uma percepção que se repetiu ao longo da conferência: “redes são coletivos formados por pessoas e instituições que compartilham valores, missão e objetivos comuns. Atuam de forma colaborativa, geralmente sem fins lucrativos, e contam com o engajamento de voluntários. São estruturas horizontais, que conectam experiências diversas e ampliam a capacidade de ação nos territórios”.


Por que redes são essenciais?


A atuação em rede traz ganhos diretos para quem trabalha com restauração ecológica, porque aproxima comunidades, pesquisadores, organizações, governos e financiadores, criando um ambiente contínuo de troca e colaboração. Essa conexão amplia o alcance das ações e a capacidade de mobilizar pessoas, conhecimento e recursos, o que dá escala às iniciativas e fortalece sua efetividade no território.

Ao mesmo tempo, as redes oferecem representação nacional, aumentando a visibilidade das pautas e garantindo legitimidade às demandas de cada bioma. Sua capilaridade permite atuar de forma descentralizada, respeitando especificidades locais e fortalecendo respostas contextualizadas. Além disso, redes organizadas acessam melhor oportunidades de financiamento, pois demonstram governança, referências técnicas consolidadas e inteligência estratégica compartilhada.


A contribuição da SOBRE


A adoção da estrutura de capítulos tem fortalecido a governança da SOBRE, sua articulação nacional e sua capacidade de representar o país em diferentes agendas. Na COP30, a “força das redes” apareceu como um tema transversal em diversos espaços da conferência.

No evento “Cerrado e Restauração: a coleta de sementes como vetor da sociobioeconomia”, discutiu-se a necessidade de coletivos preparados para receber os aportes financeiros previstos para os próximos anos. O debate reforçou que a consolidação institucional das redes, com governança definida, protocolos e articulação entre biomas, será decisiva para transformar investimentos em resultados de campo.

Thiago Belotte, diretor de Florestas do Ministério do Meio Ambiente, também destacou repetidamente a relevância das redes. No evento “Do investimento ao impacto: o papel do setor privado na restauração de territórios prioritários”, ele citou a SOBRE e abriu espaço para que representantes das redes dialogassem diretamente com investidores, apresentando gargalos, necessidades e caminhos para parcerias mais eficazes.

Essa interlocução se repetiu no encontro “Brasil pela Restauração: Impulsionando soluções para pessoas, natureza e clima”, no qual coletivos biomáticos foram convidados a representar seus territórios. A presença dos coletivos evidenciou como estruturas de rede conseguem defender a restauração de seus biomas com legitimidade, visão integrada e base técnica.

Outro momento significativo ocorreu no evento “Programa Recaatingar e Floresta Viva 2: Ações para recuperação da Caatinga”. Pedro Sena, representante da ReCaa, ressaltou como a articulação em rede ampliou a visibilidade da restauração na Caatinga em nível nacional e convidou novos participantes a se engajarem para o cumprimento das metas definidas.

A COP30 evidenciou que o fortalecimento das redes não é um componente estruturante da política de restauração no Brasil. Coletivos bem organizados aceleram resultados, ampliam o impacto e criam as bases necessárias para que ciência, políticas públicas, financiamento e iniciativas privadas cheguem aos territórios com consistência.

Ao acompanhar e participar dessas discussões, a SOBRE reforça a convicção de que o avanço da restauração ecológica no país depende da atuação coletiva, da articulação entre biomas e da consolidação das redes que sustentam esse trabalho em todo o Brasil.




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