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Referencial Inédito para a Restauração da Caatinga é lançado em Webinário promovido pela ReCaa

03 de fevereiro de 2026

A Rede para a Restauração da Caatinga (ReCaa), um dos capítulos da SOBRE, reuniu especialistas, gestores públicos e membros da sociedade civil no webinário de lançamento do e-book “Referencial Teórico para a Restauração e Protocolo de Monitoramento da Restauração da Caatinga 2025”. O material, que já está disponível para consulta (https://recaa.org/referencial/), é o primeiro protocolo de monitoramento da Caatinga construído coletivamente.

A publicação foi viabilizada com recursos do GEF Terrestre, projeto coordenado tecnicamente pelo MMA e gerenciado pelo Funbio, executado pelo Cepan e com avaliação técnica por comitê técnico científico de avaliação da ReCaa.

A obra busca qualificar a coleta de dados, fortalecer o trabalho de campo e oferecer subsídios técnicos para a criação de políticas públicas específicas para o semiárido brasileiro. Com orientações práticas para a recuperação da vegetação nativa, respeitando as particularidades ecológicas e sociais da região, o lançamento é um passo importante para superar o desafio histórico de desenvolver tecnologias específicas para a Caatinga.


Grito da Caatinga


Historicamente, a restauração da Caatinga utilizava métodos adaptados da Mata Atlântica, cenário que começou a ser transformado em 2022. O embrião desta iniciativa surgiu durante o "Grito da Caatinga", oficina realizada na IV Conferência Brasileira de Restauração Ecológica da SOBRE naquele ano, proposta por Ana Claudia Costa Destefani e Laura Antoniazzi, o que deu origem à ReCaa. O referencial é fruto de um processo participativo que envolveu reuniões científicas, oficinas com comunidades locais e a revisão de um comitê técnico formado pelos próprios membros da rede.


Diálogo entre políticas públicas e financiamento


A abertura do webinário foi feita por Raphaela Aguiar, conselheira da ReCaa, que apresentou representantes de instituições parceiras. Thiago Belote, do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, destacou que o referencial é um instrumento estratégico para o Plano Nacional de Recuperação da Vegetação Nativa (Planaveg), trazendo clareza técnica para a atração de recursos e o combate à desertificação e às mudanças climáticas, sempre com foco nas pessoas.

Rodolfo Cabral Marçal, do Fundo Brasileiro para Biodiversidade (FUNBIO), ressaltou o papel do Projeto GEF Terrestre no apoio a ações estratégicas como esta publicação. Marçal detalhou que o FUNBIO investiu cerca de 15 milhões de reais em 14 projetos de restauração na Caatinga, abrangendo 930 hectares. Para o gestor, o livro é fundamental tanto para quem executa quanto para quem financia, pois considera a geração de emprego e renda nos territórios.


Evolução histórica e inovação científica


Maria Otávia Crepaldi, ex-presidente da SOBRE, realizou um resgate histórico da presença da Caatinga nas conferências da instituição. Ela lembrou que, desde 2021, o debate sobre "ecossistemas fora das lentes" trouxe novas perspectivas, como o uso de mudas com raízes alongadas e a restauração biocultural, que prioriza o que é útil para as comunidades locais.

Renato Garcia Rodrigues, coordenador do Núcleo de Ecologia e Monitoramento Ambiental (NEMA/UNIVASF), reforçou que o protocolo permite colocar em prática o conhecimento acumulado e alertou para a necessidade de planejar a "Caatinga do futuro" diante do avanço das zonas áridas.

Ana Claudia Costa Destefani enfatizou que a publicação é um convite à inovação e à observação cuidadosa do bioma, permitindo que os processos ecológicos ocorram de forma autônoma.

Sheila Feitosa destacou o impacto do material na segurança jurídica de quem restaura e na articulação institucional para influenciar políticas públicas transflorestais.


Construção técnica e rigor científico


O encerramento foi conduzido por Pedro Sena, coordenador técnico do Centro de Pesquisas Ambientais do Nordeste (Cepan) e conselheiro da ReCaa, que apresentou o rigor metodológico por trás da obra. A elaboração contou com a revisão de 53 artigos científicos e a consulta a 16 protocolos técnicos de outros biomas. A equipe utilizou uma base de dados de vegetação dividida em sub-regiões específicas, considerando variáveis como aridez e composição de espécies.

O protocolo de monitoramento foi estruturado em três eixos principais: estrutura da vegetação, função ecossistêmica e função socioeconômica. O modelo propõe um acompanhamento em fases, desde a etapa social (identificação de interessados) até o estabelecimento da dinâmica do ecossistema, que pode levar de 6 a 20 anos. Entre as orientações práticas, o material detalha ações de manejo adaptativo, como replantio, controle de espécies exóticas e instalação de barreiras contra erosão, garantindo que os esforços de restauração resultem em funcionalidade ecológica real.




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